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domingo, 5 de fevereiro de 2017


AFINAL,QUEM QUER A DEMOCRACIA?


O tempo voa e agora reparei que já não escrevia no meu blogue desde 2014! Mas, com a eleição de Trump e a consequente acção política (?) por ele desenvolvida, apeteceu-me escrever algumas linhas sobre este tema que se está a tornar deveras preocupante. E está a tornar-se preocupante porque os Estados Unidos da América têm desempenhado um papel no mundo de repositório de valores que, jugava eu, já estarem assumidos e interiorizados pela maioria das populações dos países que compõem este nosso mundo.
Mas, afinal, enganei-me. E este engano deixa-me bem apreensivo quanto ao futuro deste nosso planeta Terra. Sim, porque é da vida deste planeta que se trata. Se não, vejamos:
1 – Partindo do princípio enunciado por Winston Churchill em que todos os sistemas políticos são maus mas, a democracia é o menos mau de todos eles, vamos constatando que cada vez mais pessoas se afastam dos valores democráticos e procuram refúgio em seguir um qualquer caudilho que lhe prometa o paraíso terráqueo não importando mesmo que se sacrifiquem as causas nobres da humanidade. (Veja-se o exemplo daquele deputado conservador inglês defensor acérrimo do brexit com o argumento de que a Inglaterra deveria controlar as suas fronteiras e que ficou estupefacto por não poder entrar nos USA por ser de origem de um país da lista negra de Trump).
2 – O ressurgimento de movimentos populistas cada vez mais fortes em toda a Europa que pretendem alterar leis e comportamentos com base em preconceitos quer ideológicos, quer raciais, quer religiosos. Alterações essas que têm acolhimento junto de muita gente, não cuidando essas pessoas de pensar que os regimes ditatoriais nasceram exactamente assim e deram no que deram.
3 – Constatar que a maioria da população do mundo não vive em regimes democráticos. Vidé os exemplos dos países árabes e africanos, a China e a Coreia do Norte, a Rússia e as repúblicas do Cáucaso, a maioria dos países da América do Sul.
4 – E agora, até os Estados Unidos caminham fortemente nessa direcção, não respeitando regras e tentando afastar quem as procura defender, insultando tudo e todos, deturpando a realidade e tentando arranjar um ministério da propaganda (onde é que eu já vi isto?).
5 – Para ajudar ao quadro, não nos podemos esquecer que à medida que a instabilidade e os conflitos vão aumentando, maior se torna o perigo para todos pois há alguém que tem o poder de carregar num botão e que esse alguém poderá pensar que chegou a hora da redenção e que é preciso limpar o mundo dos pecados dos homens…
6 – Por isso eu pergunto: “Afinal quem quer a Democracia?” Já que a sua implementação e fortalecimento é a única defesa que temos contra os “iluminados” e que poderá satisfazer a Humanidade. Eu por mim já decidi e por isso gostaria de poder contemplar a beleza do mar como os pássaros livres que escolhi para a fotografia que abre este artigo.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013



VARANDA DOS TRAIDORES


Em Inglaterra, em Londres, na Torre de Londres, existe uma porta que tem o nome de “Traitor’s Gate” (Porta dos Traidores) que, era a porta por onde saíam os condenados à morte a fim de serem executados pelo carrasco que lhes cortava a cabeça com um machado.
Mas, não é da História da Inglaterra que pretendo falar. É da nossa História e bem mais recente, pois em 1640, também em Portugal se usou não uma porta mas uma varanda, para dela ser atirado o traidor Miguel de Vasconcelos que, (des)governava Portugal a soldo dos espanhóis no reinado de Filipe III.
Pois bem, este senhor foi atirado pela janela que dá para a varanda do Palácio da Independência (na foto acima), onde foi morto pelo Povo, pondo fim à subserviência a Espanha e deste modo reganhando a nossa independência e liberdade. Embora português, Miguel de Vasconcelos apenas servia os interesses estrangeiros, ignorando a vontade do Povo e afogando-o em impostos e na miséria.
Ora bem. A Varanda lá continua, Os traidores também por aí pululam e até acabaram com o feriado do dia 1º de Dezembro (talvez por lhes pesar a consciência daquilo que estão a fazer) mas, onde está o D.Antão de Almada?
Sim, porque traidores ao Povo Português, é gente que não falta por aí. Ou não são traidores  todos aqueles que sugam o produto do seu trabalho, auferindo proventos obscenos para os quais não pode haver nenhuma justificação moral e legítima, só possível porque outros traidores assim o legislam e outros assim os defendem? Como classificar as reformas de 175.000€/mês, os ordenados principescos pagos pelo erário público a gestores de empresas falidas, as duplas e triplas reformas acumuladas por alguns ou até as reformas chorudas obtidas por meia dúzia de anos ou ainda as indemnizações enormes pagas aos próprios que as determinaram, etc. Muitos são os vampiros sugadores do sangue generoso do Povo 
Chegámos a um ponto da nossa vida social em que tudo parece ser permitido, desde que seja sempre no sentido de prejudicar os mais fracos, ao mesmo tempo que se defendem privilégios sobre privilégios de uns quantos que giram na órbita dos poderes político e económico, acompanhados por uma bem orquestrada campanha de promoção de molde a que todos possam prestar vassalagem e dizer ámen às ideias e posturas defendidas pelos novos gravatinhas desta geração “youpee” (como sempre atrasados 50 anos em relação ao que se passa/passou nos EUA) e que, essa sim, vivendo bem acima das suas possibilidades, obriga os portugueses ao retrocesso e à insolvência para que o País pague os seus desmandos e roubos. Toda essa cáfila devia ter lugar de destaque na Varanda do Palácio da Independência…


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A RESPONSABILIDADE DOS IRRESPONSÁVEIS



(Fotografia tirada de "Eu sou Português")

Portugal deve ser de facto um País “sui generis” e portanto inovador. De há uns anos a esta parte comecei a assistir a um discurso que primeiramente era apenas usado pelos irresponsáveis desportivos de todos os clubes e de todas as modalidades, que pelos vistos virou moda e agarrou-se que nem uma lapa aos irresponsáveis políticos.
Assim, fui vendo, principalmente na classe dos treinadores e dirigentes do futebol caseiro, bem como nos representantes do Comité Olímpico Nacional o discurso-chave por eles descoberto quando os resultados desportivos esperados não só não correspondiam ao anunciado como se agravavam com o decorrer do tempo: “Eu assumo toda a responsabilidade” ou então “Eu sou o único responsável”, ou outras fórmulas parecidas.
E dei comigo a questionar-me o que resultaria dessa nobre assunção da Responsabilidade pelos fracassos, frustrações e prejuízos de que eles próprios se assumiam como responsáveis. Em vão consegui chegar a alguma conclusão lógica que pudesse ser sustentada por algum exemplo anterior que pudesse iluminar o meu pensamento mas, nem pensar em tal!
Em todos os casos em que ouvi as declarações referidas, nada aconteceu. Ficou tudo na mesma. Muitos dos intervenientes voltaram mais tarde a repetir as mesmas declarações a propósito de novos desaires e, mais uma vez, ficaram-se pelas declarações sem qualquer consequência.
Ora bem, como disse atrás esta moda pegou-se, e de que maneira aos políticos, e agora sim, com mais gravidade pois mexe com todos nós.
Eu supunha que quando alguém assumia a responsabilidade de um acto falhado estaria, ele próprio, a aceitar o veredicto de culpa e, nessa conformidade, o mínimo que poderia fazer, seria apresentar a demissão do lugar ocupado ou, se o grau de culpa pudesse ter atenuantes, pagar uma penalização que fosse pecuniária, já que dificilmente se poderia arranjar mais algum tipo de sanção.
Mas não. Tudo continua na mesma e…siga o baile! E ai de quem se atreva a sugerir, quanto mais a exigir, a demissão destes incompetentes! Aqui d'el-rei porque isto e porque aquilo, pois o objectivo des Irresponsáveis é poderem alegar que foram postos fora e por isso terem direito a chorudas indeminizações.
Ainda há dias vimos na televisão o Ministro Vítor Gaspar assumir que a responsabilidade do fracasso do cumprimento das metas orçamentais é só dele mas, que consequências daí advêm? O que se está a ver é que ele continua alegremente em funções sem nada lhe acontecer e quem vai pagar a sua incompetência e irresponsabilidade é mais uma vez o Povo Português!
Estamos mesmo entregues a Irresponsáveis sem qualquer Responsabilidade!

domingo, 16 de outubro de 2011

Funcionários Públicos, essa corja de malandros!




Sus! A eles! Ao cadafalso, já! Preguiçosos, mandriões, parasitas da sociedade, irresponsáveis, ladrões do erário público que só querem é discutir a bola à segunda-feira, absentistas e mal-criados, enfim, tudo o que se arranjar para os diabolizar é pouco...

Mas, quem são os Funcionários Públicos?

Terão sido eles que afundaram o BPP? Terão sido eles que delapidaram o Estado em cerca de 5 mil milhões de Euro no caso BPN? Foram eles que se locupletaram com os lucros chorudos das parcerias público-privadas? São eles os beneficiários ou os autores dos escândalos Freeport, Sobreiros, Submarinos, Face Oculta, Furacão e tantos outros “negócios” que enchem a mula a muita gente, que tanto quanto sei, não é funcionário público.

Serão eles, por acaso, os que recebem duas e três reformas chorudas por terem ajudado a delapidação do bem comum? Serão eles que recebem os obscenos prémios de gestão das empresas, essas sim, públicas, mesmo que continuem a dar prejuízos?

Não, meus amigos. Os funcionários públicos são outra gente. São gente de trabalho, são gente que até tem de suportar todo este desaforo, até de quem os dirige e que, pasme-se, nem são funcionários públicos! Os funcionários públicos são os Polícias, os GNRs, os Professores, os Médicos, os Juízes, os Administrativos que os apoiam, são os que trabalham nas Autarquias, são os Inspectores que velam pela qualidade dos alimentos e da água, em muitos sítios são os que recolhem o lixo que fazemos, são os que nos dão as informações do estado do tempo, são as pessoas ligadas aos museus e à cultura. Estes são os funcionários públicos!

E são estes a quem não se pede qualquer sacrifício para corrigir o desmando dos outros. Aos funcionários públicos, obriga-se, altera-se a lei e...já está. Saca-se-lhes o subsídio de Férias, o subsídio de Natal, reduzem-se os salários, congela-se a progressão nas carreiras. Quais direitos adquiridos, qual quê, isso é só para os senhores do capital e do poder que continuam com todas as mordomias como se nada fosse e para os quais nunca se pode alterar a lei que os possa “prejudicar”. É esta a Democracia que estamos a ter.

Coitados dos funcionários públicos. Agora até dizem que ganham mais 10 a 15% que os da privada! Esquecem-se que mais de 60% dos ditos funcionários públicos têm cursos superiores e exercem essas funções. Não devem querer que um Capitão do Exército ganhe o mesmo que um agente de uma empresa privada de segurança ou que um Professor possa ganhar o mesmo que um empregado de balcão numa qualquer loja, por exemplo.

E porque não, em vez de se diabolizar os funcionários públicos, começar a reduzir a despesa do Estado acabando com Institutos, Fundações e outros Organismos que só sorvem dinheiro e que pouco ou nada fazem de interesse verdadeiro para a comunidade? Este poderia ser mais um dos caminhos para reduzir despesa e não continuar o ataque a quem nada tem e ver com o assunto. O funcionário público tem de contribuir tanto como qualquer outro cidadão para o bem comum. Nem mais, nem menos!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Politicamente Incorrecto (3)

Fundação Calouste Gulbenkian

FUNDAÇÕES E ORGANISMOS AFINS

 Tenho a impressão que Portugal deve ser o país onde haverá  mais Fundações e Institutos por metro quadrado do que em outro lado qualquer. Mas afinal para que poderão servir estas instituições? Em princípio, têm duas origens distintas: umas são públicas e outras são privadas mas, o seu objectivo deveria ser o mesmo, isto é, instituições sem fins lucrativos e que pudessem contribuir para a melhoria do Conhecimento, das Artes, da Ciência e Investigação Científica, da Defesa de Causas Sociais enfim,deveriam ser a vanguarda dos Valores e das Ideias com que as Sociedades se desenvolvem e se tornam mais solidárias e humanas.

Claro que, como ajuda do Estado a estes nobres objectivos, beneficiam de inúmeras benesses e facilitismos que deste modo, além de contribuirem para o seu funcionamento também representam o reconhecimento devido ao seu trabalho.

Posta a questão nestes termos, parece tudo muito altruista e belo mas, será que é mesmo assim que as coisas funcionam? Claro que não.

Se os Institutos Públicos são locais priviligiados para a colocação dos amigos e obtenção de mordomias de outro modo difíceis de conseguir, se a maior parte das suas acções é perfeitamente dispensável à sociedade e por vezez conflitual entre si, se na relação deve-haver ficam muito mal na fotografia, só há um caminho a ser trilhado: reestruturar e melhorar o que vale a pena e extinguir todos os outros, o mais rapidamente possível.

Quanto às Fundações, falo agora das privadas, tudo fia mais fino. Hoje em dia qualquer bicho careta lega em testamento ou cria mesmo em vida, uma Fundação, algumas mesmo com um capital miserável e imediatamente toca de se encostarem ao Estado, usando todo o jogo de influências que parece que agora será criminalizado (será mesmo?) para o efeito. E é bem fácil! Primeiro cria-se a Fundação e depois arranja-se maneira de se fazer um ou mais protocolos com o Estado para que seja este a pagar, afinal de contas, o âmbito das suas acções! É a galinha dos ovos de ouro! Só será preciso mais uma pedra de toque para que o quadro fique completo que é o discurso anti-Estado, que o Estado gere mal os seus dinheiros, que deve haver menos e melhor Estado mas, já agora, venha de lá a massaroca...

Fundação, é a Fundação Calouste Gulbenkian. Um verdadeiro oásis e um farol no que deve ser, de facto, uma Fundação. A Gulbenkian dá, cria, subsidia, comparticipa, inova, mantém e tudo sem ser o Estado a pagar as actividades por ela desenvolvidas! Bem pelo contrário, inúmeras vezes é a Gulbenkian que paga as necessidades doa serviços públicos!

Pela mesma razão que atrás invoquei a propósito dos Institutos, também nesta área se deve separar o trigo do joio, mas há tanto joio mascarado de trigo...e tanto lobby de pressão instalado, que será bem mais difícil usar a vassoura.


Champalimaud Centre

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Politicamente Incorrecto (2)


Hospital de S. José
SAÚDE

Há por aí uns arautos que dizem defender o Serviço Nacional de Saúde mas, de há muito a esta parte, tanto PS como PSD/CDS se têm multiplicado em iniciativas que mais não visam senão a sua destruição. É bom não esquecer que antes do dia 25 de Abril de 1974, só uma parte reduzidissima da população tinha acesso pleno a cuidados de saúde fornecidos pelo Estado, já que a maioria da população tinha que os pagar do seu próprio bolso.

Assim, há que terminar com esta presunção de “todo o cidadão ter direito a uma Saúde gratuita”, porque de outra forma mata-se a galinha dos ovos de ouro. E vai daí, toca a começar por algum lado. Com o compadrio da Ordem dos Médicos começou por se tocar num dos aspectos fundamentais: o “Senhor Professor”, quando Primeiro-Ministro, acolitado por essa visionária que foi Ministra da Saúde, resolveram implementar os célebres numerus clausis de acesso à profissão, que hoje em dia põe à vista de todos, as suas consequências.


De seguida, mais uma machadadazinha ao mudar-se a designação de Serviço Nacional de Saúde para Sistema Nacional de Saúde, de modo a desta maneira, poderem ser englobados os privados, neste conceito abrangente. A seguir, vem a alteração de se passar da expressão “gratuito” para a expressão “tendencialmente gratuito” ou seja, por outras palavras, tendencialmente pago!

Vem também mais uma peça do puzzle da destruição que foi o acabar-se com as Carreiras Médicas e tudo o que de bom se passou no nosso País na área da Saúde. Coitado do saudoso Professor Miller Guerra, entre outros, subscritor do célebre relatório das carreiras médicas que esteve na génese da criação do SNS!

Mas como ainda não estivessem satisfeitos, resolveram transformar os Hospitais em EP’s (Empresas Públicas), como se a Saúde fosse um negócio (que pelos vistos até é) e entregar a sua gestão a indivíduos que a primeira coisa que fizeram foi quintuplicar os ordenados e as mordomias dos gestores, bem como o seu número e colocar nesses lugares quem de Saúde pouco percebe e os que percebem alguma coisa, percebem-na pela parte do vil metal, esquecendo-se que no meio de tudo está o doente que não é propriamente um parafuso ou uma porca que se fabrica em qualquer vão de escada.

Mas há mais! Resolveram criar critérios de eficiência (que pelos vistos só têm aplicação nos serviços ainda públicos), que têm levado, por exemplo, ao encerramento de Maternidades, com o argumento de que com menos de 500 partos por ano, os médicos que aí trabalham não podem adquirir a experiência necessária ao exercício do seu mister. Assim, toca a fechar as Maternidades mas, ao mesmlo tempo também se aprova o alvará que permite que nesse mesmo local possa funcionar uma Maternidade privada! Será que os Homens começaram a parir para que o número de partos aumente?

Agora são as chamadas parcerias público-privadas, que têm levado o País à ruína e algumas das mais importantes são as da área da Saúde, são os constrangimentos salariais que levam ao abandono maciço dos médicos especialistas das unidades em que trabalham e à desmotivação dos que vão ficando. Agora já se fala abertamente, de encerrar serviços e contratá-los com privados, fazendo com que o Estado gaste duas vezers, ou então, o que é mais grave, é pôr cada um a pagar a sua saúde. Só quem nunca esteve verdadeiramente doente é que pode sequer imaginar que o comum dos mortais tem posses para custear as suas despesas nesta área. Para vos dar um exemplo, infelizmente tão frequente, basta lembrar o custo do tratamento de um queimado!

Enfim, muito ainda há para ser dito a este respeito mas, ficará para uma próxima oportunidade. Por agora já existe matéria suficiente para que se possa reflectir sobre aquilo que se pretende fazer à Saúde em Portugal.

Hospital da Luz

sábado, 9 de julho de 2011

Politicamente Incorrecto (1)


Escola Primária Nº1, a primeira Escola Pública criada em Portugal após a implantação da República, com o apoio da Maçonaria.
EDUCAÇÃO


Hoje vou iniciar um conjunto de textos que já tenho pensado há uns tempos e que intitulo “Politicamente incorrecto” por apresentar uma forma de ver os assuntos, em contra-corrente com o que é o discurso actual mas, com o avançar dos anos, já me posso exprimir sem qualquer constrangimento ou receio de ser apelidado de isto ou daquilo. O meu tempo de vida e a minha conduta falam por si e, por isso já não tenho de provar nada a ninguém. Vamos então ao tema de hoje.


Não tenho nada a ver com a Educação mas pertenço a uma família de professores e, no meio deles tenho vivido, pelo que assisto a todas as suas angústias e frustações, a todos os seus temores e impotências, a todas as suas revoltas e a todo o seu cansaço.


A minha primeira noção é de que o sitema de ensino do chamado Estado Novo (ensino primário, liceal e técnico) era excelente. Estava bem estruturado, toda a gente sabia qual o seu lugar dentro do referido sistema e tudo funcionava com regularidade. Em relação aos tempos de hoje, haveria que fazer duas alterações básicas fundamentais: modificar os conteúdos das disciplinas de História e de Português, por motivos óbvios e adaptar os novos conhecimentos às matérias a ensinar; universalizar o sistema, já que no meu tempo era muito restricto o número de alunos que o frequentavam e o que se pretende é que todos o possam fazer.


A segunda noção é de que a parte mais importante do sistema de ensino é o professor! Ele é a referência e ele tem de ser a autoridade. Isto de se tentar que o “aluno é quem determina” só tem trazido indisciplina, anarquia e falta de respeito ao interior das Escolas, bem como o facilitismo e a falta de exigência na aprendizagem.


Em terceiro lugar há que ter a noção que nem todos os alunos podem adaptar-se ao mesmo sistema e que por isso se deve procurar, dentro do mesmo sitema, uma alternativa para estes casos e não, misturá-los anarquicamente numa sala de aula pois a consequência é por todos conhecida: a bagunça total! Como é possível haver numa sala de aula alunos de 9/10 anos em conjunto com outros de 14/15 e com toda a carga negativa que normalmente estes transportam consigo,  o que faz com que toda a turma seja prejudicada na sua aprendizagem.  Posso contar centenas de histórias a este respeito e todas no mesmo sentido.


Em quarto lugar a desmitificação destes governantes que temos tido, no que se refere à conversa da defesa do ensino público. Faz-me rir estas teorias quando confrontadas com as práticas governativas. Por um lado fecham-se escolas com menos de 20 alunos, o que acho uma boa medida, e por outro pretende-se subsidiar a presença dos alunos no ensino privado, no local onde não há ensino público (em breve até parece que será para ser subsidiado tudo o resto), o que aliado ao facto de as escolas públicas serem obrigadas a aceitar todo o tipo de alunos, só irá contribuir para que cada vez mais escolas privadas apareçam (com os subsídios) já que os pais terão tendência a tirar os seus filhos do ensino onde cabe todo o tipo de delinquência e indisciplina e, assim se diz que se defende o ensino público! E é também assim que se quer comparar os rankings das escolas!


Em resumo e para terminar, direi que não teremos grande futuro como País, se não apostarmos num ensino eficaz e exigente e isso não se consegue da forma em que se está.


Entrada principal do Colégio S. João de Brito

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Contra o estado marchar, marchar...


Há por aí muito boa gente que passa o tempo a vociferar contra o Estado, que temos muito ou pouco Estado, que o Estado é um malandro que nos suga o dinheiro em impostos, que é preciso é menos Estado e melhor Estado, que isto e que aquilo mas, sempre com um denominador comum: É preciso acabar com o Estado a todo o custo porque a iniciativa privada é que sabe e consegue resolver todos os nossos problemas!
Sem deixar de concordar com alguns dos aspectos do problema, nomeadamente a redefinição das funções que ao Estado devem pertencer, bem como os sectores em que o Estado deve ter uma importância capital, acho que por agora apenas convém lembrar a toda essa gente algumas das funções e “benesses” que o nosso vil Estado Social nos dá:
Reforma, Subsídio de casamento, Subsídio de funeral, Abono de família, Subsídio de desemprego, Subsídio de maternidade e aleitamento, Rendimento social de inserção, Comparticipação nos medicamentos, Assistência na doença para todos, Ensino público de escolaridade obrigatória, Passes sociais, Subsídios de rendas de casa, Passes da terceira idade, Abonos diversos para deficientes e grandes doentes, Isenções fiscais as mais diversas desde as para a habitação e ensino até às relacionadas com deficiências e doenças crónicas, Apoio judiciário para os mais carenciados, Segurança e Defesa, Toda uma série de subsídios para fazer face a calamidades quer na Agricultura quer nas outras actividades, Apoios à promoção externa da marca Portugal e das exportações portuguesas, Apoios a tudo o que é Fundação (com excepção da única verdadeira Fundação que temos em Portugal. Fundação Calouste Gulbenkian), Subsídios ao Teatro, Cinema e demais formas artísticas, Subsídios para as actividades desportivas mesmo algumas das “pseudo” amadoras, apoios e subsídios para tudo e mais umas botas.
Convém lembrar estas coisas porque convém também que os tais arautos possam dizer o que é que querem acabar da lista acima descrita! Claro que me irão indicar duas ou três coisas que em termos gerais nada pesam no Orçamento do Estado mas que servirão como exemplo e norma do que deve ser feito mas, nos grandes gastos já é diferente a não ser que se queira regredir ao tempo da Idade da Pedra em que nada havia. Faço lembrar, por exemplo, que os 13º e 14º meses só nos anos 80 com Cavaco Silva, foram iniciados. E, se voltarmos mais atrás, antes do 25 de Abril, nem a Educação nem a Saúde atingiam todos os portugueses!
A tudo isto é preciso ver também, o rendimento médio de um cidadão português e o que ele pode ou não contribuir para o bem comum. Ora, sendo cada vez maior o fosso entre ricos e pobres, tanto em diferença de rendimentos como em número, cada vez mais pobres e menos pessoas a concentrar a riqueza, logo se poderá verificar que o Estado tem de ter uma função social bem evidente.
E só par terminar, convém lembrar que as vigarices dos Lehman Brothers e Murdochs, bem como as falências dos bancos Islandeses e Irlandeses, BPN, BPP e mais não vale a pena enumerar, estão a ser pagas por quem: pelo tal Estado (O Estado somos nós, é o nosso dinheiro) que só é preciso para este tipo de actuação, mas ninguém pergunta de onde vem o dinheiro para acorrer a estas coisas. Deve vir do ar!
Eu gostava de ver algumas pessoas que bem conheço a tentarem viver sem as benesses públicas que actualmente existem, embota passem a vida a vociferar contra o Estado Social.
Já agora, outra coisa. Uma vez que se está sempre a malhar no funcionário público, já pensaram que é o único que não pode fugir ao pagamento dos seus impostos sobre o seu trabalho?
Última hora: houve um tornado na região de Tomar. Quem vai pagar parte dos prejuízos?
Nota - A fotografia foi tirada há muitos anos em França, no Cemitério Americano de St. Laurent-sur-Mer, na Normandia. Infelizmente, também ao Estado compete esta parte da nossa vida em comum.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Que Paraíso nos quererão vender a seguir?

Hoje estou adoentado e talvez por isso também mais azedo e com menos paciência para os cantos de sereia ou para os falsos moralisnos de quem anda sempre na mó de cima a tentar enganar os outros. Vem isto a propósito da Greve Geral marcada para amanhã pelas duas centrais sindicais.
Durante os últimos cinco ou seis anos andaram a vender-nos o milagre irlandês. Que sim, que eles é que estavam no bom caminho pois não apostavam na política do betão (Cá para mim parece-me é que eles apostaram no betão dos outros) e, agora estão sem dinheiro e...sem betão!
Mas o que causa mais espanto é que a enorme quantidade de dinheiro (quase 100mil milhões de Euro) que vão ser os desgraçados dos irlandeses que vão ter de pagar, apenas servirá para tapar o tal buraco da bancarrota dos bancos irlandeses! Pergunta imediata: Então porque não são nacionalizados os Bancos? Pelos vistos a tão cantada Gestão Privada não é mais do que uma forma de continuar a roubar o Estado e o Cidadão. Não só levaram os bancos que geriam à falência como, vão agora emprestar o dinheiro desviado e com juros. Ganham sempre e várias vezes!
Eu não consigo compreender porque uma pessoa tem de ter dois comportamentos diferentes: se estiver no Estado é um mau gestor mas se estiver na privada já poderá ser um bom gestor.Faz-me lembrar os chamados prémios de assiduidade. Então um trabalhador não tem de se apresentar ao trabalho para auferir o seu salário?
Este é um tema para nos levar bem longe. Afinal, o Estado sempre serve para alguma coisa. É a porta onde todos vão bater, mesmo os que dizem mal dele!
O exemplo irlandês demonstra à saciedade que o que interessa a muito boa gente, a começar pelos condutortes da actual política europeia, não é ajudar a resolver os problemas dos irlandeses mas sim, o de também salvar os seus investimentos nesses bancos que de outra forma se perderiam.
Este é mais um exemplo de caso de polícia que vai dar sempre ao mesmo...quem se lixa é o mexilhão.
Por isso estou aguardando ansiosamente qual o novo Paraíso que nos vão mostrar como farol: talvez a Coreia do Norte ou a Birmânia, assim como assim, já temos experiência de viver em ditadura...
Também por estas razões só resta o caminho do protesto e consequentemente a Greve Geral.
Bandeira da República da Irlanda tirada da Wikipédia

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O Sr. Oliveira da Figueira

Este personagem criado pelo enorme autor belga que foi Hergé (de seu verdadeiro nome Georges Rémy), o pai do Tintin, é pois, como o nome indica um cidadão português! Ora bem, este indivíduo nasceu nos primórdios do século XX, o que quer dizer que já nessa época os portugueses não eram muito bem vistos por essa Europa fora. Hergé (que diga-se em abono da verdade, era um pouco xenófobo e racista) conseguiu captar alguns dos traços típicos do que ainda hoje são muitos de nós.


Continuando a caracterização do Sr. Oliveira da Figueira (podem ver na filactera que o nome não é traduzido), é um sujeito que se encontra em toda a parte do mundo, negociando em qualquer coisa, dando-se com Deus e com o Diabo, sabedor de todas as matreirices para estar sempre de bem com a situação e aproveitando-se de tudo para benefício próprio, sem nada retribuir à comunidade onde se encontra. É este o carácter deste senhor. Mas pergunto eu? E será que a figura não está muito bem caracterizada por mais que nos possa chocar?
Tenho lido sistematicamente opiniões expressas tanto em órgãos de comunicação social como no facebook, no sentido da crítica costumeira: malandros, gatunos, parasitas, onde vamos parar com estas gentes, etc, etc. Só que, alguns dos autores destes assanhados discursos, são pessoas ainda piores do que o Sr. Oliveira da Figueira, pois que também como ele fogem aos impostos argumentando que ladrão que rouba a ladrão, nunca trabalharam na vida ou se o fizeram foi durante muito pouco tempo e portanto nada deram à sociedade mas, quem os ouvir falar...até parece que têm razão!
Isto faz-me também recordar uma história por mim presenciada nos anos do PREC, no Serviço de Urgência do Hospital de S.José em que o chefe dos maqueiros, conotado com o MRPP, se dirigiu ao então Chefe da equipa de banco e o questionou por levar muito dinheiro nas suas consultas de clínica privada. O Chefe de equipa, conotado com o MDP/CDE respondeu-lhe: levo dinheiro aos ricos para fazer justiça social e levo dinheiro aos pobres para lhes acirrar a raiva contra os ricos! Resumindo: ganhava sempre! Aí temos outro Sr. Oliveira da Figueira!

domingo, 3 de outubro de 2010

QUE FUTURO PARA OS HOMENS ?


Eu bem não queria meter política aqui no blogue...mas, é impossível não alinhavar alguns pensamentos que me inquietam e me preocupam, agudizados por toda a situação em que agora estamos mergulhados.
Não quero entrar em análises mais ou menos comezinhas, do deve e haver, pois acho que além de não enfrentarem qualquer problema, apenas conduzem ao descrédito e ao desespero das pessoas. Estou farto de comentadores e analistas das desgraças ou dos oásis, estou farto de todos aqueles que só falam de números e cifras, de gráficos e previsões, quase sempre erradas diga-se de passagem. Já não darei mais para esse peditório.
A mim interessa-me começar pela seguinte questão: A Política, a Economia e toda a actividade humana não existem para servir os Homens? Ou são os Homens que existem para as servir? Eu por mim coloco-me ao lado da primeira questão mas, será assim com os outros?
A História da evolução da Humanidade mostra-nos toda uma caminhada no sentido da libertação do Homem e da melhoria das suas condições de vida para que possa vivê-la em paz e com dignidade. Para atingir estes objectivos torna-se necessário que a Política tenha a primazia pois é ela que define quais os caminhos e escolhas que se devem fazer e todas as outras,  para estas metas devem convergir. Os robots foram inventados para aumentar as produtividades e permitir mais tempo livre para os Homens, não foram inventados para aumentarem o desemprego e desse modo tornar a escravizar a espécie humana!
Todas as conquistas das civilizações tiveram sempre o objectivo de melhorar a condição humana mas, de repente, com o advento da tão cantada globalização, parece que se esqueceram todos estes princípios. Eis-nos pois chegados ao absurdo da defesa da competitividade a todo o custo, sem regra e sem lei. Alguém pode competir com quem é obrigado a trabalhar a troco de uma côdea de pão? Algum produto pode competir com outro que não respeite o ambiente na génese do seu fabrico?
Como se pode ver, deixada à tripa-forra, a globalização não ajuda quem quer que seja. Apenas permite, é o que acontece, que os poderosos se tornem cada vez mais poderosos mas, mesmo esses, até um dia! Pois, levada às últimas consequências, a situação do mundo actual acabará por destruir todos: os pobres continuarão pobres e desprotegidos, os remediados tornar-se-ão em novos pobres e os senhores, também se tornarão pobres por não terem ninguém a quem possam vender os seus produtos. Quando mais de metade da população que trabalha e tem algum poder de compra fôr para o desemprego, pela deslocação dos factores de produção para essas tais zonas em que não hé nem direitos nem lei, quem irá comprar o que aí é produzido?
Ora, eu só vejo uma saída: terá que haver uma regulação e bem forte, a nível mundial, que possa impor a todos as condições necessárias mas, para isso ter-se-á de dar o prioridade à Política. A não ser assim, não é preciso ser-se Nostradamus para poder prever-se o eclodir de inúmeros conflitos e guerras que, mais uma vez, irão trazer a miséria aos povos. Não tem sido este, afinal, o nosso fado de Homens?
Para terminar estas notas que já vão longas, aqui deixo uma fotografia tirada no Centro Cultural de Belém, à entrada para o Museu da Colecção Berardo. Devo esclarecer que o ângulo em que a fotografia foi tirada, foi-me sugerido pela Madalena (a minha mulher para quem me possa ler e não me conheça). Deste modo, como e verde é esperança, fica aqui bem esta foto da escultura de Joana Vasconcelos.